P A S S O. A. P A S S O


. Escolha da argila

Trabalho com pasta de porcelana.

Esta argila é puramente branca, translúcida e de natureza não-plástica. A porcelana é, talvez, a “menina dos olhos da cerâmica”: nobre, fina, mas densa e impermeável, aproximando-se das características do próprio vidro. Para ser trabalhável, são necessários componentes de natureza plástica, que devem ser cuidadosamente adicionados de forma a não comprometam a cor branca da porcelana, que lhe é tão própria.

Distingue-se pela coexistência de três características técnicas, únicas e fundamentais: dureza, a brancura e a translucidez .

A porcelana tem um elevado nível de resistência mecânica, baixa porosidade e alta densidade, que, no dia-a-dia, lhe conferem durabilidade, inocuidade, toque suave e beleza.

A sua delicadeza e beleza tornam as peças elegantes, intemporais e adequada para qualquer evento. Apesar de terem uma grande resistência, como são peças muito finas, tem que se ter um cuidado no seu manuseamento. Não aconselho a lavagem na máquina de lavar. É compatível, mas não aconselhável.

 

. Preparação da pasta

Amassar é a técnica de misturar e rolar argila para torná-la consistente e sem bolhas de ar. O método que eu uso é chamado Spiral Wedging e é uma técnica que me levou meses para dominar. É um processo de amassar o barro com uma ligeira rotação que ajuda a empurrar para fora quaisquer bolhas de ar dentro do barro. As bolhas de ar causam problemas ao “girar” o barro na roda ou esticar em lastra e, se permanecerem no barro durante a cozedura, podem fazer com que o corpo do barro se quebre ou até exploda. A dificuldade em amassar a pasta de porcelana é que esta seca muito depressa e esfarela. Tem que se trabalhar rápido e adicionar água aos poucos para “hidratar” a pasta.

 

. Criar a forma

Assim que o barro está amassado e livre-se bolhas de ar, dou forma ás peças.

Uso diferentes técnicas. As minhas favoritas são a técnica da lastra, roda, rolo, maciço ocado, modelação livre e enchimento de moldes.

É comum ter peças em que utilizo mais do que uma técnica.

Para cada uma delas é um universo de aprendizagem. Na roda temos de dominar a técnica de centrar o barro, modelação e corte. Na lastra, a porcelana é extremamente “mole” e para dominar a técnica com esta pasta tem de se sustentar o peso. No rolo, trabalhamos a espessura, na modelação livre ou maciço ocado também. Mas o que é comum a todas as técnicas é o grau de paciência e o poder de desapego que temos de ter porque nem sempre saímos vencedores.

 

. Secagem

A secagem das peças, depois de modeladas, depende da temperatura ambiente e humidade.

Podendo utilizar secadores para acelerar o processo.

Normalmente, no Inverno as peças podem demorar mais de 48 horas a secar, no Verão, pode demorar 1 hora.

Durante o processo de secagem, aproveito para fazer alterações às peças. Quando estão em estado de couro posso alisar, fazer colagens, fazer fretes, pinturas e assinaturas.

 

. Chacota ou primeiro fogo ou biscoito

Ao estarem secas, as peças são chacotadas (cozidas) a 980/1000º, num processo durante o qual a pasta perde humidade e consequentemente plasticidade, tornando-se branca (no caso da porcelana já é branca), rígida e textura áspera. Nesta altura, não está ainda finalizada, mas reúne as caracteristicas ideais para ser lixada e e com a porosidade ideal para absorver o vidrado. É nesta fase do processo que a peça passa a corpo cerâmico (perde a totalidade da água a partir dos 640º).

A cozedura é gradual para evitar choques térmicos. Demora cerca de 8/10 horas a atingir os 980º e 24 horas a arrefecer.

 

. Vidragem

As peças de uso utilitário têm de ser vidradas para poderem ser impermeáveis.

Trata-se de um revestimento que permite a impermeabilização da peça e que é aplicado na cerâmica após a primeira cozedura através de várias técnicas – mergulho, vidragem à pistola ou outros métodos mais ou menos experimentais. Graças às várias composições dos vidrados, sejam as disponíveis no mercado, sejam as composições criadas através de experimentação e receitas - são inúmeras as cores, tonalidades, tipos, composições - o difícil é escolher.

Já a nível de acabamento, os vidrados da porcelana são por característica bastante fortes, à prova de riscos e de acabamento brilhante. Habitualmente não apresentam coloração, já que o objetivo é, uma vez mais, preservar a brancura natural desta pasta.

. Segundo fogo/cozedura

Depois de vidrada e secas, as peças de porcelana voltam ao forno para cozer o vidrado.

Como pasta de alto-fogo, a porcelana é cozida a uma temperatura média que atinge os 1300º. Esta cozedura é lenta, demorada e depois das peças estarem cozidas só podem sair da Mufla (forno cerâmico)quando esta arrefecer (24 horas).